Separe empresa e relação sem brigar — para o casal que empreende
Meia-noite, luz apagada, e a conversa é sobre o pedido que o fornecedor não entregou. Ela começa técnica e escorrega rápido para um tom que nenhum dos dois usaria com outro sócio. No dia seguinte o problema do trabalho está resolvido. O clima entre vocês, não.
Sociedade entre estranhos tem contrato, horário e assunto delimitado. A de vocês tem a cama, o carro, o jantar e o feriado. Não existe momento em que a empresa esteja fechada, porque o outro sócio está sempre por perto, e qualquer preocupação nova encontra ouvido disponível a qualquer hora.
A crítica é o ponto onde a mistura dói mais. Apontar um erro de execução para o seu cônjuge não chega como observação profissional; chega colada em todo o histórico da relação. Ele ouve a frase de hoje e a lista inteira do que já foi dito antes, e responde à lista.
Sócios no Amor e no Trabalho trabalha com fronteira, e fronteira precisa ser combinada em voz alta. Onde a empresa pode ser assunto e onde não pode. Quem decide o quê sem consultar. Como se abre uma conversa de trabalho em casa e como se encerra, mesmo sem conclusão.
O ressentimento cresce no vão da divisão. Um dos dois costuma sentir que carrega mais e quase nunca diz, porque parece mesquinho contabilizar esforço com quem se ama. Guardada, essa conta volta em irritação por motivo pequeno. Escrever a divisão custa uma conversa desconfortável e evita uma coleção delas.
Dois sócios saem do escritório e param de se ver. Vocês vão para a mesma casa. Sem fronteira combinada, a empresa fica com o dia inteiro e com o que sobra da noite.
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