Vença a timidez e construa presença — para o profissional que some
A frase estava pronta na sua cabeça. Você esperou o momento certo, alguém entrou antes, e o assunto seguiu adiante. Mais tarde a mesma ideia voltou pela boca de outra pessoa e a sala aprovou na hora. Você concordou junto. Ninguém naquela reunião ficou sabendo de onde a ideia tinha saído.
Competência que ninguém vê não entra na conta da promoção. Você entrega, cumpre prazo, resolve o que os outros deixaram de lado — e quando o nome precisa aparecer, aparece o de quem fala mais alto. A leitura fácil é que o ambiente é injusto. A parte incômoda é que o silêncio também foi escolhido, todo dia, várias vezes por reunião.
A timidez raramente vem sozinha. Antes de a boca abrir, o corpo já respondeu: batimento acelerado, mão gelada, a cabeça montando o julgamento alheio com antecedência. Calar alivia o desconforto naquele instante e aumenta o próximo, porque confirma para você mesmo que falar era arriscado. O circuito fecha e reabre na reunião seguinte.
A Sombra Que Você Projeta não pede extroversão emprestada. Mariovaldo Carrilho parte da matéria-prima que já existe em quem é introvertido e competente: preparo, escuta, precisão. Presença construída assim tem outro formato — voz firme sem volume alto, entrada no momento em que o assunto pede, frase curta que a sala escuta porque não veio embrulhada em pedido de licença.
Ocupar espaço custa alguma coisa. Alguém vai discordar em público, alguma frase vai sair torta, e a primeira vez é sempre pior que as seguintes. O livro trata esse custo como parte do trajeto, e não como prova de que você não serve para aquele tipo de sala.
Presença não é volume. É a distância entre estar na sala e a sala saber que você está. Quem é bom e cala ensina o ambiente inteiro a passar por cima dele.
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