Como usar a tecnologia sem medo — para quem está na terceira idade
O neto pega o seu celular, aperta uma sequência de coisas e devolve dizendo que está pronto. Você agradece. E fica com a parte que ninguém viu: não dá para repetir aquilo sozinho, e pedir para mostrar de novo, devagar, custa mais do que ficar sem saber.
O que trava não é a sua capacidade de aprender. É o método com que a tecnologia costuma ser ensinada dentro de casa: rápido demais, com o aparelho na mão da outra pessoa, sem nomear o que está sendo tocado. Quando o ensino acontece assim, o que sobra é a sensação de que aquilo funciona por sorte.
Vem daí o medo de estragar. Você evita tocar em telas desconhecidas, deixa de tentar sozinho e chama alguém para tarefas pequenas. Só que quase nada num celular quebra por causa de um toque errado, e saber exatamente onde estão os poucos lugares de risco muda a forma como você usa o aparelho no resto do tempo.
A Tecnologia Não Foi Feita Contra Você trabalha por autonomia diária: marcar a consulta, olhar a conta, falar com quem mora longe, guardar a foto que chegou, resolver o transporte. Cada tarefa vira um caminho que você anota do seu jeito e repete até não precisar mais consultar a anotação.
O livro também trata do que a pressa dos outros deixa de fora: o que aprender primeiro, o que dá para ignorar sem prejuízo nenhum, como a inteligência artificial entra nisso de forma simples e quais mensagens merecem desconfiança imediata. Aprender no próprio ritmo devolve algo maior que a habilidade: a decisão de resolver sozinho.
Você não é lento para aprender. Você foi ensinado com pressa, por alguém que segurava o aparelho e não dizia o nome do que estava tocando.
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