Gestão do tempo para quem já corre o dia inteiro e ainda assim não chega no que importa.
O celular apita antes de você sair da cama. Você responde no caminho até a cozinha, confere a agenda enquanto o café esquenta e come em pé. À noite o resumo é sempre o mesmo: não parou em nenhum momento, e a tarefa que justificava a semana continua exatamente onde estava na segunda-feira.
Correr mais rápido não devolve tempo. Devolve mais tarefas concluídas e a mesma sensação no fim do dia. O que enche a agenda é a quantidade de coisas que entram sem passar por nenhuma decisão. Cada urgência que chega recebe o peso da anterior, e a fila se organiza pela ordem de chegada.
A conta dessa correria não aparece na agenda. Aparece no jantar em que você estava presente só de corpo, no domingo gasto resolvendo pendência de trabalho, na conversa que alguém começou e você atendeu pela metade. Tempo gasto assim não tem reposição prevista, e é disso que o título trata.
A procrastinação aparece aqui com outro nome. Raramente é preguiça. É a tarefa grande demais, sem primeiro passo definido, disputando espaço com entregas pequenas que dão resultado imediato e cabem entre duas reuniões. O Tempo que Não Volta trata o adiamento pelo tamanho da tarefa, e não pela intensidade da cobrança que você faz consigo.
Escolher implica perder alguma coisa. Nomear o que não vai acontecer é a parte que nenhuma agenda, nenhum aplicativo e nenhuma técnica fazem por você. Feito isso, o dia continua cheio. Cheio de outra coisa.
Ninguém recupera um dia vivido. Dá para mudar o critério que decide, amanhã de manhã, quem entra na sua agenda antes de você acordar.
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