Pare de remoer o erro e vire a página — para quem revive tropeços
A frase mal colocada na reunião. O e-mail enviado rápido demais. Foi há semanas, e mesmo assim o assunto reabre sozinho — no trânsito, na fila, no meio de outra conversa. Do lado de fora, ninguém está pensando naquilo. Dentro, ainda não teve desfecho.
Remoer se apresenta como análise. Você repassa o episódio procurando o que teria feito diferente, calcula o que as outras pessoas concluíram, ensaia uma explicação para quem não vai pedir explicação nenhuma. A repetição não produz conclusão nova. Produz mais vergonha, e a vergonha pede outra rodada.
Existe um ponto em que pensar deixa de trabalhar a favor. Antes dele, examinar o erro corrige alguma coisa. Depois dele, cada volta apenas reforça a lembrança e o desconforto colado nela. O Tribunal que Não Encerra ensina a localizar esse ponto no meio da própria noite, quando ele costuma passar despercebido.
Há o tropeço que aconteceu e há o filme montado por cima dele. O tropeço tem tamanho, data e consequência verificável. O filme tem plateia, sentença e prazo indeterminado. Separar os dois reduz o caso ao que ele é, e boa parte do peso está justamente no que foi acrescentado.
Perdoar a si mesmo funciona como procedimento. Você reconhece a falha, faz o que ainda cabe fazer e encerra a sessão sabendo que a mente vai tentar reabri-la. O sono volta quando reabrir deixa de ser automático.
A sua cabeça reabre o caso porque nenhum veredito foi dado. Encerrar a sessão é decisão sua, e ela precisa ser tomada outra vez sempre que a mente tentar reabrir.
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