Venda com escuta e calma — para o vendedor introvertido
A reunião terminou. No corredor, o colega conta piada e distribui tapa nas costas, ocupando o espaço sem esforço nenhum. Você fechou um contrato ouvindo o cliente falar quase o tempo todo. E sai dali com a sensação de ter feito do jeito errado.
A ideia de que vendedor bom é o extrovertido veio de fora e você a adotou sem revisar. Daí a performance: entusiasmo ensaiado, conversa de aquecimento que não interessa a ninguém, ritmo acelerado para preencher silêncio. O personagem funciona por um tempo, consome energia que você não tem sobrando, e o cliente percebe o esforço antes de perceber o produto.
Escutar não é a versão educada de não saber o que dizer. É o que produz a informação de que a venda depende: o que a pessoa já tentou, com o que ela se importa de verdade, qual é a objeção que ela ainda não formulou. Quem fala o tempo todo sai da reunião sem nada disso.
O silêncio depois de uma pergunta difícil rende mais que a resposta pronta. Vender no Seu Tom trata isso como técnica: o que fazer com a pausa, quando repetir a última frase do cliente, como registrar sem interromper. São movimentos que quem prefere ouvir já faz mal e mal, sem saber que está fazendo.
Há também a conta da energia. Evento, ligação em série e reunião longa cobram de você mais do que cobram do colega, e o livro trata o descanso como parte do processo de venda. Sem essa conta, a técnica funciona na terça e falha na sexta. A introversão entra aqui como material de trabalho: venda fechada por confiança demora mais para acontecer e demora muito mais para se perder.
A conversa em que o cliente fala mais do que você é a conversa em que ele se convence sozinho. Quem prefere ouvir já chegava a esse ponto antes de a técnica ter nome.
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