Faça a mudança de carreira com propósito e recomece com direção
A promoção saiu. Teve a ligação, a mensagem no grupo, o jantar de comemoração. Meses depois, numa terça qualquer, você percebe que o cargo virou apenas a sua rotina. A expectativa de que ele fosse significar alguma coisa se desfez sem barulho, e ninguém em volta notou.
O diagnóstico fácil é culpar a empresa. Às vezes é isso mesmo. Com frequência não: você troca de empresa, ganha um título maior, e a sensação atravessa a mudança intacta. Quando o incômodo viaja junto, ele não ficou no escritório anterior.
A pergunta que cresce por baixo é sobre direção. Você subiu com competência, e ninguém, no caminho, parou para conferir se a subida ia para onde você queria chegar. Cada degrau novo torna essa conferência mais cara, o que explica por que ela vai sendo empurrada para frente.
A vida profissional funde quem você é com a função que aparece no seu contracheque. A fusão é confortável enquanto o cargo vai bem. Ela cobra caro na hora de mudar, porque sair da função passa a parecer perder a si mesmo. Separar uma coisa da outra vem antes de qualquer decisão prática.
A transição descrita aqui é feita com o emprego de pé: hipótese, teste, conversa, conta feita, e só então saída. Sem largar tudo num impulso, sem discurso de coragem, sem queimar o que você construiu para provar a alguém que estava insatisfeito.
Competência leva você para cima. Ela não informa a direção. Chegar ao alto do lugar errado é o risco que a pressa de subir costuma esconder.
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