Ansiedade infantil: acolha a criança ansiosa sem alimentar o medo.
Ela pede colo pela terceira vez desde o jantar. E se der errado, e se você demorar, e se ninguém for buscar. Você responde, explica, garante que nada vai acontecer. A garantia serve por alguns minutos, e amanhã a mesma pergunta volta do mesmo tamanho.
A criança pede garantia e você dá. Ela funciona como alívio, não como aprendizado: encurta o desconforto de agora e ensina que o medo só passa quando alguém de fora o desliga. Na vez seguinte a pergunta chega mais cedo.
Acalmar a Criança Ansiosa separa acolher de reforçar. Acolher é reconhecer que o medo é real e que o corpo dela está mesmo reagindo. Reforçar é organizar a vida em volta do medo: recusar o convite, sair da fila, buscar mais cedo, responder outra vez à mesma pergunta.
A dor de barriga antes da prova não é invenção. O corpo dispara antes de a criança entender o que está sentindo, e ela ainda não tem palavra para o que acontece dentro dela. Nomear é o primeiro trabalho — e é trabalho de adulto, feito em voz baixa, sem sermão junto.
A criança que atravessa o desconforto uma vez descobre que ele acaba sozinho. É essa descoberta que reduz o tamanho do medo seguinte. Você continua sendo porto seguro quando permite o desconforto; é justamente porque você está ali que ele pode ser atravessado.
O medo da criança não some porque você provou que ele é infundado. Some quando ela atravessa a situação temida e descobre, com o próprio corpo, que aquilo terminou.
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