Fortaleça a autoestima do seu filho na pré-adolescência
Você disse que ele é inteligente e ele revirou os olhos. Você disse que ela está linda e ela respondeu que você é a mãe, tem obrigação de falar isso. O que funcionava até o ano passado agora soa falso do outro lado. A criança não sumiu. Mudou o critério pelo qual ela aceita a sua palavra.
Nessa idade a referência muda de lugar. Sai de casa e vai para a turma, para o grupo do celular, para as reações que uma foto recebe. Você continua sendo quem mais ama e passa a ser quem tem menos autoridade para dizer o quanto ele vale, porque o seu elogio parece obrigação de cargo.
O Espelho dos Doze Anos trata do que fazer nesse intervalo. Como conversar sem que a conversa escorregue para o sermão. O que elogiar quando elogiar a aparência já não cola. Como se manter presente sem invadir um quarto que agora tem porta fechada e senha no celular.
Boa parte do trabalho está no que você reforça. Elogio de resultado ensina que o valor depende da nota, do gol, da roupa que ficou boa naquele dia. Elogio de esforço aponta para algo que a criança controla. A diferença parece pequena numa frase e vira grande depois de meses de repetição. O resto é previsibilidade: alguém que não desiste de perguntar, que não devolve ironia com ironia, que continua no corredor depois que a porta se fecha.
Aos doze anos o elogio de um pai deixa de valer como prova e passa a valer como presença. Quem muda de posição nessa fase é o adulto, não a criança.
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