Por que estamos mais conectados do que nunca, mas nos sentimos tão sozinhos?
A lista de contatos está cheia. O aplicativo mostra amigos, seguidores, grupos ativos com mensagem não lida. E existe uma hora do dia em que você percorre tudo isso de cima a baixo e não encontra ninguém para quem ligar de fato. Você fecha o aplicativo e deixa passar.
A solidão de hoje não é ausência de gente por perto. É a distância entre ser visto e ser conhecido. Você aparece em muita conversa e não é o assunto de nenhuma. Alguém curte a foto, e ninguém pergunta como foi a semana.
O argumento recua da causa social para uma anterior. Se o desconforto fosse só falta de contato, o volume de contatos teria resolvido — e ele aumentou sem resolver nada. Sobra a hipótese de que fomos feitos para um tipo de vínculo que a quantidade não substitui.
O vazio é tratado como eco de uma separação bem mais antiga que qualquer rede social. A leitura passa por um Criador que procura em vez de esperar ser procurado, e chega a Emanuel, o Deus conosco — um nome que responde diretamente ao isolamento.
Popularidade não cura solidão porque atende ao problema errado. Ser conhecido por inteiro e continuar sendo amado é outra coisa, e é o que O Fim da Solidão persegue: primeiro na reconciliação com o Pai, depois na comunidade concreta em que essa vida acontece.
Ser popular é ser reconhecido por muitos. Ser conhecido é alguém saber o que você é quando ninguém está olhando, e permanecer ali. A segunda coisa é a que faltava.
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