Sono do bebê sem treino rígido, com descanso possível para quem cuida.
O cansaço deixou de ficar restrito à madrugada. Você perde o fio no meio da frase, se irrita com quem não fez nada, esquece o que foi buscar na cozinha. E no fim da tarde já começa o cálculo do que vem pela frente.
Junto disso vem a culpa, que quase ninguém trata. Você ama esse filho e mesmo assim chega a um ponto em que o corpo pede trégua. Sentir isso não diz nada sobre o tamanho do seu amor. Diz que existe um limite físico e que ele foi alcançado.
Noites Possíveis trabalha com o que dá para fazer agora. A rotina é gentil e admite o temperamento da criança: há bebê que precisa de mais colo, há fase que desorganiza o que já estava andando. A autonomia do sono se constrói aos poucos, sem tabela rígida e sem treino que exija suportar choro.
A outra parte do livro é sobre quem cuida. Como dividir a madrugada com alguém, o que fazer com o sono acumulado, onde encaixar descanso enquanto a noite ainda é interrompida. Esperar a criança dormir bem para só então cuidar de si costuma significar não cuidar.
Chegar ao limite diz respeito ao corpo, não ao tamanho do seu amor. O sono que falta continua faltando depois que você desconta em culpa.
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