Saia do desânimo após o burnout — para quem já descansou em vão
Você parou. Dormiu, tirou férias, cortou o que dava para cortar. Pela sua própria conta, isso já deveria ter funcionado. Você acorda, olha para o dia e não encontra vontade de nada, inclusive do que antes fazia por prazer.
O que ficou no lugar do esgotamento é mais silencioso e mais difícil de nomear. A comida tem o gosto de sempre e não dá satisfação. O plano continua bom no papel e não puxa ninguém para fora da cama. Tristeza não descreve isso direito. Apagado descreve melhor.
A expectativa que mantém a pessoa presa é a da ordem certa: esperar a vontade voltar para então agir. Depois de um esgotamento longo, essa ordem se inverte. O movimento pequeno vem primeiro e o interesse aparece atrás dele, devagar, em tamanho menor do que tinha antes.
Quando Nada Mais Te Move trata da fase de que quase ninguém fala: o depois, quando as pessoas em volta já esperam que você esteja bem e você também esperava. O percurso descrito é lento por natureza, feito de doses pequenas e do fim da cobrança por entusiasmo.
Vontade não obedece a ordem. Depois de um esgotamento longo, o movimento vem primeiro e o desejo chega atrás, sem aviso, em tamanho menor do que era antes.
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