Vença o esgotamento e recupere a saúde — para quem cuida de todos
A última pessoa da fila do aconselhamento foi embora. Você apagou as luzes, trancou a porta e sentou no carro. O celular vibra: alguém internado, alguém em crise, alguém que precisa falar hoje. Você responde. É o que você faz.
A conta de sustentar a fé de outras pessoas não aparece na agenda. Ela aparece na mensagem de domingo que custa mais para nascer a cada semana, na oração que virou preparo de material, na distância estranha que você sente de Deus enquanto fala dele com autoridade diante de todo mundo.
Existe um motivo estrutural para a solidão. Você guarda o segredo de metade da congregação, e falar do próprio cansaço com quem se apoia em você mexe exatamente no lugar onde essa pessoa se segura. Então você cala. O silêncio que protege os outros vai isolando quem se cala.
O esgotamento do líder não é assunto novo. Elias pediu para morrer debaixo de um arbusto no deserto logo depois do maior feito público da vida dele, e o cuidado que recebeu começou por comida e sono — não por correção espiritual nem por convocação a ter mais fé. A ordem daquele cuidado diz alguma coisa sobre a natureza do problema.
Descanso, aqui, é tratado como parte do ofício e não como prêmio por produtividade ministerial. O livro percorre os sinais que se disfarçam de cansaço comum, a culpa que chega na primeira tentativa de parar e o arranjo prático de quem precisa continuar servindo enquanto se recupera. Quem serve com o tanque no fundo entrega presença de fachada, e a congregação sente antes de saber o motivo.
Quem sustenta a fé de muitos também precisa de alguém que sustente a dele. A função não isenta o corpo, e o chamado não dispensa descanso.
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