Liberte-se da necessidade de agradar a todos e da busca por aprovação
A mensagem foi enviada de manhã. À noite ainda não teve resposta. Você reabre a conversa, relê o que escreveu, procura a palavra que possa ter soado errada. Encontra uma. Agora a explicação está montada: a pessoa se incomodou. Nenhuma informação nova entrou nesse intervalo. A conclusão veio inteira de dentro.
Silêncio é ambíguo, e ambiguidade precisa ser preenchida. Quando o seu valor depende do que o outro achou, todo espaço em branco é lido como recusa, porque essa é a leitura que exige menos esforço de quem já a espera. O telefone ocupado, a reunião longa e o dia ruim da outra pessoa nem chegam a entrar na lista de hipóteses.
Na conversa seguinte você mede cada palavra. Observa a cara de quem ouve e ajusta a opinião no meio da frase. Sai da sala sem saber direito o que pensava sobre o assunto, porque a sua posição foi sendo negociada em tempo real com a reação alheia. Esse tipo de cansaço não aparece para ninguém.
Mariovaldo Carrilho junta duas frentes que costumam andar separadas. Uma é a construção de critério próprio: saber com que régua você avalia a própria conduta quando ninguém está olhando. A outra é o desapego da aprovação, que trata do que fazer com o desconforto de desagradar alguém e seguir de pé mesmo assim.
Ninguém deixa de se importar com a opinião dos outros por decisão. O que muda é o peso que ela recebe. Ela vira um dado a considerar, ao lado do que você mesmo pensa, e perde o poder de encerrar a discussão sozinha. Você continua ouvindo. Para de obedecer.
Aprovação não se acumula. Ela alivia enquanto dura e exige renovação no encontro seguinte. Quem depende dela trabalha todo dia para manter um saldo que zera sozinho.
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