Vença o medo de fracassar e aja mesmo com medo — sem se paralisar
A vaga estava aberta e você não se candidatou. O texto ficou escrito e não foi publicado. Na reunião, a sua ideia continuou dentro da sua cabeça e saiu da boca de outra pessoa minutos depois. Nada disso apareceu em lugar nenhum: recusa que não aconteceu não deixa registro.
Antes de qualquer passo, a sua mente monta a cena completa. Você erra, alguém percebe, alguém comenta, alguém acha graça. O detalhe da simulação é o que engana. Quanto mais nítida a cena, mais ela parece informação sobre o futuro em vez de produto da própria ansiedade.
Existe uma assimetria que sustenta o problema. A vergonha imaginada é vívida, específica e chega agora. O custo de não tentar é abstrato, distribuído ao longo de anos e nunca cobrado num dia em que dê para apontar o prejuízo. Sempre há um lado que vence essa discussão, e não é o da tentativa.
E Se Todos Me Virem Cair? inverte a ordem que os conselhos costumam assumir. A coragem não vem antes da ação para autorizá-la; ela aparece depois, como resultado de passos pequenos que deram certo e de alguns que deram errado sem destruir nada. Mariovaldo Carrilho trabalha a redução de escala e o número limitado de testemunhas, até que o corpo aprenda que a queda é sobrevivível.
Falta a parte que quase nenhum livro sobre confiança encara: às vezes você cai mesmo, e alguém vê. O que acontece depois é menor do que a sua cabeça prometeu. As pessoas voltam para os próprios problemas rápido demais para sustentar a plateia que você imaginou.
A plateia que te paralisa é mais atenta, mais cruel e mais duradoura do que qualquer plateia real. Ela existe apenas dentro da sua cabeça, e é a única que assiste à cena inteira.
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