Como vencer o cansaço da tarde e ter disposição sem viver de café.
A queda tem hora marcada. Vem depois do almoço, no mesmo ponto de todas as tardes, e não avisa. A leitura fica lenta, a conta simples precisa ser refeita, e o resto do expediente vira travessia.
O que você chama de preguiça é uma resposta previsível. Prato que solta açúcar rápido levanta a energia de uma vez e devolve a conta logo depois. O café segura por um tempo curto e cobra na hora do sono — e a noite mal dormida entrega uma tarde pior no dia seguinte. O ciclo se alimenta sozinho.
O livro trata o meio da tarde como consequência da manhã inteira. O que entrou no café da manhã, o que faltou no almoço, quanta água passou pela mesa e há quanto tempo você não tira os olhos da tela: tudo isso já estava decidido antes de o cansaço aparecer.
As correções são pequenas por decisão de projeto. Mudar a composição do prato sem mudar a comida. Ter um lanche resolvido antes de a vontade de doce chegar, em vez de escolher na frente da máquina. Beber água antes de sentir sede. Levantar e tomar luz natural antes de o corpo pedir açúcar.
O cansaço da tarde não termina no expediente. Chega em casa como paciência curta, jantar decidido no automático e uma noite que começa devendo. Recuperar esse pedaço do dia muda o resto dele.
A tarde cobra o que a manhã montou. O prato, a água e a luz do começo do dia já decidiram como você vai chegar ao fim dele.
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