Pare de pensar demais ao deitar e durma em paz — para quem cansa
Luz apagada, casa em silêncio, corpo exausto. É exatamente nesse ponto que a cabeça entra em atividade. Ela pega a frase que você disse na reunião e refaz. Pega a conversa de anos atrás e reescreve com a resposta certa. Você vira na cama e faz a conta que nunca ajudou ninguém: quanto ainda sobra da noite se o sono vier agora.
De dia existe barulho suficiente para abafar. A noite retira as distrações uma a uma e devolve a mente sem tarefa. Sem tarefa, ela procura o que ficou pendente: o que pode dar errado amanhã, o que já deu errado ontem, a lista que ninguém escreveu, os e se que não terminam.
Ruminar tem a aparência de resolver problema, e essa é a parte que engana. A repetição não produz decisão nova. Você percorre o mesmo circuito e chega ao mesmo lugar, com mais cansaço do que quando começou. E quanto mais esforço você faz para parar de pensar naquilo, mais atenção o pensamento recebe.
O Sossego de Quem Pensa Demais mira o horário exato em que isso acontece. Mariovaldo Carrilho aproveita o que a terapia cognitivo-comportamental faz com a ruminação e traduz para quem está deitado no escuro, sem nenhum profissional por perto: o que fazer com a lista antes de deitar, como interromper o circuito depois que ele já girou, e onde o corpo entra nessa história.
O sono não obedece a esforço. Ele aparece quando o corpo e a rotina param de sinalizar alerta. É por aí que o livro trabalha: pelo ritual de fim de dia, pela respiração que desacelera sem virar exercício, e pelo lugar onde a preocupação é despejada antes de a cabeça encostar no travesseiro.
Tentar não pensar é uma instrução que o cérebro cumpre ao contrário. O caminho até o sono passa por dar à cabeça outra coisa para fazer, justo na hora em que ela decide trabalhar.
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