Como cuidar do bebê e sobreviver — para pais sem rede de apoio
É tarde e a casa enfim silenciou. O bebê dormiu. Você está de pé na cozinha, comendo o que sobrou, com o monitor ligado e o olho ardendo. Amanhã começa igual. A única pessoa disponível para o próximo choro é você, e isso vale para a madrugada inteira.
A rede de apoio que você imaginou não apareceu. A avó mora longe, o parceiro viaja, a licença acabou, e a ajuda que chega vem em forma de conselho, quase nunca em forma de mão. O cansaço deixa de ser sono acumulado e vira condição permanente: você funciona, resolve, atravessa o dia, e não sobra nada de você para você.
Os manuais assumem uma casa que não é a sua. Casal descansado que se reveza, avós no mesmo bairro, dinheiro para pagar ajuda. A instrução falha quando a estrutura que ela pressupõe não existe, e a culpa acaba ficando com quem não conseguiu executar aquilo em uma casa sem gente sobrando.
Sozinhos com o Bebê foi escrito para a casa real. Graciele Faria trata a noite sem revezamento, a paciência que acaba antes do meio-dia, o limite que precisa ser posto sem grito e sem ceder por culpa, e o medo de errar em uma coisa que não tem ensaio nem segunda tentativa.
A parte mais difícil não está na técnica de sono nem na introdução alimentar. Está em admitir que não dá para dar conta de tudo sozinho, e em montar do zero alguma rede mínima com quem existe ao redor: a vizinha do andar de baixo, a colega que também tem bebê, a mãe que você conheceu na sala de espera do pediatra.
Criar bem não depende de noite dormida, de avó por perto nem de dinheiro para pagar ajuda. Depende de saber o que largar primeiro, nos dias em que a rotina inteira não cabe.
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