Dê e receba feedback de verdade — para quem engole o que precisa dizer
A mensagem chega curta, com ponto final onde não precisava. Você lê de novo procurando o tom. Na reunião, a sua proposta fica para ser vista depois, e depois não chega. Ninguém levantou a voz, ninguém disse nada que possa ser citado, e você sai da sala com a certeza de que existe um problema sem nome.
A guerra fria funciona assim: o conflito não some, muda de canal. Vira tom, prazo que estica, informação que deixa de circular, cordialidade fina. Esgota mais do que a discussão aberta porque não termina. A briga tem fim; o clima não. E o desgaste vai para casa junto com você.
O que sustenta esse estado é o feedback que não acontece. De um lado, quem tem algo a dizer e engole, porque dizer parece agressão ou risco de carreira. Do outro, quem ouve qualquer observação como ataque e se fecha. Trabalho sem Guerra Fria trabalha os dois lados da mesa, e não só o de quem fala.
A conversa difícil tem hora, lugar e forma. Fora disso ela sai torta mesmo com boa intenção. O livro monta esse enquadramento: o que se diz na abertura, o que se descreve em vez de julgar, o que se pede de forma concreta. E trata do caso em que a outra pessoa não colabora, porque esse caso existe e nenhuma técnica o elimina.
A briga aberta tem começo, meio e fim. A guerra fria só tem meio. É por isso que ela cansa mais, mesmo sem ninguém levantar a voz.
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