Para quem acorda devendo sono, entrega tudo e não sente mais nada ao terminar.
Você cumpriu o que prometeu esta semana. Respondeu, resolveu, entregou. Nenhuma dessas coisas produziu alívio. Chegou onde queria chegar e não sobrou força nem para reparar que chegou — o que era para ser comemoração passou como mais um item riscado da lista.
O dia começa com déficit. Você dorme e acorda devendo, o banho não acorda, o café não acorda, e a primeira olhada no celular já mostra a fila do que vai cobrar você hoje. O funcionamento continua normal por fora. Por dentro, a parte que sente as coisas foi desligada para economizar o que restou.
Os avisos vinham chegando antes disso: a vontade que sumiu, a irritação curta, o esquecimento, o corpo reclamando por vias que você não associou ao cansaço. Lidos como preguiça ou má vontade, eles seguem ignorados até deixarem de ser aviso. A partir daí quem decide a pausa é o corpo, no horário dele.
Quando a Força Acaba trata primeiro do que drena e só depois do que repõe. Água, sono e folga aplicados sobre uma exigência que não mudou não devolvem energia — a reposição escoa na mesma velocidade em que entra. O corte vem antes: recusar o que não é seu, devolver o que foi assumido por hábito, aceitar que alguém fique contrariado com isso.
A retomada vem em tamanho pequeno, dentro da rotina que existe hoje, e não depois de uma reforma de vida. Leliane Calegari trabalha nesse ritmo porque energia não volta por decisão. Ela volta quando para de sair mais do que entra, e isso leva o tempo que leva.
A exaustão não é medida de dedicação. É uma conta em aberto: o corpo adianta a energia que você ainda não tem e cobra depois, com juros, no horário que ele escolher.
Leitura gratuita para assinantes do Kindle Unlimited.
Comprar na AmazonVocê será redirecionado para a Amazon.com.br