Pare de se comparar nas redes e recupere sua autoestima
O despertador toca e o polegar começa antes dos olhos. Uma viagem. Um corpo. Um negócio que deu certo. Uma família fotografada num domingo. Você ainda está deitado e já tem uma resposta pronta sobre a sua própria vida, e ela é desfavorável.
A parte que irrita é saber. Você conhece o mecanismo: recorte, filtro, melhor momento, nada do que veio antes e nada do que veio depois. Conhecer não desliga a comparação, porque ela não passa pela análise. Acontece antes de qualquer raciocínio, no mesmo lugar onde o corpo decide se algo é ameaça.
Comparar é uma função antiga e útil. Ela calibrava o seu lugar num grupo pequeno de gente conhecida, com informação completa sobre cada um. O feed manteve a função e trocou a amostra: agora o grupo é enorme, todo mundo aparece na melhor versão, e você continua tendo acesso irrestrito ao seu próprio bastidor.
Vença o Jogo das Comparações não propõe abandonar as redes. Propõe trocar o que serve de medida. Enquanto a régua for pública — curtida, cargo, foto de viagem —, ela pertence a outras pessoas e muda quando elas decidem. Uma medida interna tem outro problema: precisa ser definida por você, e isso dá trabalho.
O ponto de chegada é modesto e verificável. Você abre o aplicativo, vê a conquista alheia, registra que ela é boa para quem a viveu, e o seu dia continua do mesmo tamanho que tinha antes. A comparação não desaparece. Ela para de cobrar pedágio.
Enquanto a sua medida for pública, ela pertence a quem publica. Você entrega a gente que nem sabe o seu nome o direito de decidir se o seu dia foi bom.
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