Fortaleça a autoestima e silencie a autocrítica — para mulheres
A casa está em silêncio e você continua acordada. Todo mundo dormiu. Você refaz a conversa da tarde, escolhe a resposta melhor que não deu, adianta o julgamento que talvez apareça amanhã, revisa a lista do que ficou por fazer. O corpo está cansado. A cabeça está trabalhando.
O comentário interno tem um tema só: insuficiência. Você poderia ter feito melhor, deveria ter dado conta, as outras conseguem. Ele não discute com fatos, apenas repete. E a repetição, ao longo de anos, deixa de parecer opinião e passa a parecer descrição do que você é.
Esse padrão foi aprendido em algum lugar. Frase de infância, comparação entre irmãs, elogio condicionado a desempenho, uma casa em que descansar exigia justificativa. A autocrítica adulta costuma repetir uma exigência que veio de fora e ficou hospedada dentro, agora sem ninguém para dizê-la em voz alta.
A conta é cobrada em coisas concretas. Sono. Conquista que passa batida porque já era obrigação. Presença com filhos e marido, gasta em revisão mental. Convite recusado por não se achar à altura. Descanso que só acontece quando o corpo adoece e obriga.
Autoestima aqui não significa se achar ótima. Significa parar de aceitar como verdade um relato interno que nunca passou por exame, e conseguir deitar sem precisar defender o próprio caso até de madrugada. O julgamento pode continuar aparecendo. O que muda é o crédito que ele recebe de você.
A autocrítica não avalia o seu desempenho. Ela emite a mesma sentença todos os dias, com qualquer resultado — e é por isso que fazer mais nunca resolveu.
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